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Crise e Cidadania
Crise. Palavra da ordem do dia.
Numa era em que todos nós utilizamos a crise para justificar atrasos e
incumprimentos, convém reflectirmos um pouco sobre o que realmente está
em crise. Será de facto o sector económico que nos leva a sentir esta
pressão constante, do querer e não ter, do fazer ou parar, do querer ir
ou ficar? Terão os nossos pais e avós atravessado uma tão grande
pressão? Se tiveram como a ultrapassaram? A crise é constante e sempre
foi para os mais vulneráveis. A crise é de valores e de capacidade de
lutar contra as adversidades. Habituamo-nos, nas últimas décadas a
acomodar-se com as migalhas que nos foram chegando, através dos planos
de desenvolvimento. Criados pelos que de facto engordavam às custas do
brilho de quem adquiria um carro novo ou uma casita pagando por vezes
duas ou três. E, acomodamo-nos. Aburguesamo-nos. Deixamos de fazer
aquilo que nos nossos pais e avós fizeram: lutar pelo melhor.
Enquanto assistirmos diariamente, sentados tranquilamente no sofá, ainda
com prestações em atraso, aos roubos escandalosos e desvios do erário
público, praticados por bandos de usurpadores que nós próprios
escolhemos, jamais a crise será ultrapassada.
Orgulho-me de fazer parte de uma colectividade com mais de 30 anos de
existência. Existimos porque contra ventos e marés lutamos: contra os
nossos adversários – lutamos com lealdade dentro do campo de jogo,
contra a falta constante de verbas para suportar os orçamentos – lutamos
na procura constante de patrocinadores, contra a falta de mobilização
local para integrar as Direcções – lutamos na motivação do trabalho
realizado anualmente e no serviço prestado aos nossos jovens da região.
Apesar de jamais sermos recersidos do trabalho social que temos
desenvolvido, agradecemos no entanto todos os apoios, financeiros e
materiais até agora recebidos das autarquias: Câmara Municipal de Leiria
e Junta de Freguesia de Bidoeira de Cima. No entanto e vitimas do
comodismo atrás falado, fomos desta vez alvo de um corte de 75% do valor
por norma atribuído pela Junta de Freguesia. Será que até contra quem
mais nos havia de apoiar, vamos ter de lutar também? Fomos e somos o
veículo privilegiado da imagem desta terra, motor decisivo para a
formação da freguesia, muito mais jovem que o clube. Somos agora traídos
pela inércia daqueles que contaminados pela onda colorida, não souberam
lutar, tal como nós o fazemos diariamente pela defesa dos organismos que
representam diante da edilidade pública. É bom lembrar que apesar de
todas as dificuldades a Câmara Municipal de Leiria honrou os seus
compromissos e consegui manter o apoio habitual o que humildemente
agradecemos. Terá superior importância aplicarem-se as verbas em obras e
aquisições para as quais poucos vêem sentido ou ter a preocupação de
manter em actividade, quase centena e meia de jovens que ao longo destes
anos e anos têm vestido as cores deste G. D. R. Bidoeirense, em vez de
andarem no consumo de drogas ou outros desvios dos quais não nos podemos
queixar muito nas nossas paragens?
Por isso digo a crise existe, principalmente de valores. Como é possível
mobilizar as pessoas para dirigir qualquer organismo, quando vemos por
parte daqueles que, por vontade política ou com objectivos só por eles
conhecidos e por nós eleitos a aniquilar vontades a desvirtuar trabalho
realizado? Apelo a todos a ponderarem bem na altura da escolha, as
pessoas não têm cor e medem-se pela sua forma de estar e ser, qualquer
pessoas serve desde que saiba garantir e lutar pelo melhor para aqueles
que representa. Não queremos ceder à crise, queremos continuar a lutar
pelo melhor daqueles que nos rodeiam. Vamos apelar e não atrofiar, à fé
na Cidadania.
O Presidente
Júlio Sousa |